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Quase Outono ~ livros e achismos

140. Você está conversando com uma pessoa que está mentindo, e você sabe disso.
O que fará? Confrontá-la ou deixará a pessoa continuar?

Ela sorri e morde os lábios, olhando de um lado para outro, como se procurasse por alguém em meio as pessoas na praça de alimentação. Eu continuo com meus olhos fixos nela, mesmo que poucas vezes os castanhos encontram os verdes.
Ela diz que está feliz por ter se mudado, que está feliz por conseguir um novo emprego e ter conhecido pessoas novas.
Sorri enquanto desvia, novamente, os olhos, e os concentra em seu suco em cima da mesa.
Ela mente.
Eu sei pois somente um mentiroso reconhece outro.
Eu a conheço.
A minha vontade é rir. Rir das suas mentiras, gritar para o mundo ouvir o quão mentirosa ela se tornou, mas continuo em silêncio, a ouvindo falar sobre as novidades não tão novas. Ela sorri mas não existe brilho em seus olhos claros.

Ela faz perguntas sobre como está a saúde do meu cachorro... do nosso cachorro. Pergunta como está minha família e se minha sobrinha já nasceu. Ela me pergunta como estou.
“Estou feliz, assim como você.” É minha resposta, num murmúrio rude e baixo.
Ela abaixa a cabeça e suspira, dizendo que isso foi desnecessário.
Nossos olhos se encontram e minha vontade agora é chorar. Chorar por essa droga de momento. Chorar por não ver o sorriso sincero. Chorar por fingir que a minha vida vai bem sem ela. Chorar porque nada vai bem sem ela. Chorar porque ambos temos o conhecimento disso.
“Você está feliz? Realmente?” pergunto, com a voz trêmula, mesmo já sabendo a resposta. O sorriso dela agora é triste.
“Desculpe... mas já se tornou um hábito.”
“Sorrir?”
Ela nega com a cabeça, fazendo uma mecha de seu cabelo cair em seus olhos.
“Não... Mentir.”
Concordo. Ela me olha e sorri.
E sei que ela sabe que quando acreditamos na nossa mentira, cedo ou tarde, ela se torna verdade.
Então a deixo continuar, nessa ilusão de que tudo irá melhorar.

--
Não há a necessidade de confrontar alguém quando você sabe que ela está mentindo.
Talvez essa seja a verdade em que ela, e apenas ela, acredite.

Meus textos parecem que foram pegos de algum diálogo de algum livro que algum dia escreverei. Who knows
Aí são duas pessoas separadas, que não querem estar separadas, mas, que por algum motivo desconhecido, estão separadas (deu pra entender, certo? certo).
Senti falta desse projeto, tenho vários textos já escritos, e quem sabe eles serão postados por aqui.
Para ler outros temas, clique aqui :)

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"Eu cheguei a pouco tempo, já querendo ir embora. As pessoas ficavam quietas, como se qualquer suspiro alto fosse quebrar, em mil pedaços, aquele cenário. Eu franzi a testa para a mulher ao meu lado que não parava de chorar, ou tentava segurar o choro dentro de si. Revirei os olhos.
Pessoas e seus sentimentos...
Estava um tempo frio. Não frio de moletom. Frio de moletom; e casacos; e toucas; e luvas. 
Como em um filme, quando algo desse tipo acontece, estava chovendo. Bem, em dias assim sempre estava.
Sorri para aquilo, se ele soubesse que iria chover, com certeza teria dado um jeito de mudar a data.
A primeira vez que o vi foi neste mesmo lugar, mas em circunstâncias diferentes. Estava calor, mas não calor de 30 graus. Calor de protetor fator 50, sorvetes derretendo e falta de água.
Coloquei minha mão dentro do bolso da calça e senti o isqueiro, procurando em volta uma placa de não fume, abaixei a cabeça e soltei um riso. O isqueiro que ele havia me dado, sem gás.
Minhas pernas batiam uma na outra. Hiperatividade, ele disse uma vez. Tédio, respondi. 
Mas no momento, não era um tédio de não ter o que fazer, era um tédio de cansaço, de querer pular esse dia porque ficar olhando as pessoas abraçando umas as outras me entediava e me fazia querer acender o isqueiro que rodava em meus dedos mas, querendo ou não, as coisas não são do modo que deveriam ser. Não são do modo que eu queria que fossem. Então eu apenas revirava os olhos, para as pessoas que me jogavam sorrisos falsos, e batia as pernas, na esperança de acelerar as horas.
Não era a primeira vez que entrava aqui pelo mesmo motivo, na primeira, três ou quatro anos atrás, foi para ver meu pai, meses depois, minha prima.
Me pergunto se um dia iria me acostumar com o tédio que acontece nesses encontros de família.
Não, eu nunca me acostumaria com os olhares que eram direcionados para a pessoa e os murmúrios baixos que faziam. As palminhas nas costas como se passassem força, ou sei lá o que, através da palma da mão. A decoração horrível para algo nada comemorativo.
Eu esperava o homem terminar de falar suas palavras que nem eram ouvidas, talvez só por mim. Não. Nem por mim, porque eu estava concentrada demais no isqueiro que rodava em meu bolso.
As mulheres pareciam usar suas melhores roupas em eventos como esse, os homens conversavam com o pai dele e por um momento achei que estivessem falando do que havia acontecido mas não, ao me aproximar pude ouvir sobre bolsa de valores e a próxima reunião.
Eu cheguei perto e depositei meu isqueiro em sua mão, como se ele pudesse segurar. Sorri e me desculpei, saindo dali o mais depressa possível, porque soube que o tédio não era uma consequência de estar naquele lugar, era o incômodo e a dor que o faziam aparecer.
Não deveria ter me desculpado porque ele sabia que, para mim, velórios sempre são entediantes."

--

Não deve ser a coisa mais entediante imaginável, mas meus personagens tem vida própria, o que posso fazer? Até que gostaria de descrever o que eu acho entendiante em mínimos detalhes mas deu nisso e é isso ^^
Veja os outros temas clicando aqui.
Beijos!
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Escreva uma carta de amor para quem já se foi.

“20, abril, 2010.

Eu soube a pouco tempo.
Estava sentada no chão da sala quando ela me ligou. Olhava algumas fotos antigas, e por incrível que possa parecer, eram nossas fotos juntos, aquelas que disse que havia jogado fora. Você sorria em todas elas. Um sorriso perfeito.
Não sei porque justo ela havia me ligado.
Por incrível que possa parecer para você, eu não chorei. Eu costumava chorar por qualquer coisa. Mas não chorei. Você não gostava de choros. Já fazia tanto tempo desde o nosso término, sete anos. Sete anos que eu estava sem notícias suas. Pergunto-me mentalmente se não fosse pelas fotografias espalhadas pelo chão, eu me lembraria de você....
Claro que me lembraria, você é onipresente.
Sua voz rouca e sempre baixa, ficava tão calma quando estava bravo. Seus cabelos que, ao contrário dos pedidos dos nossos amigos, você nunca cortava.
Seus olhos castanhos... você era tão comum e tão diferente ao mesmo tempo. Único seria a palavra certa. Único.
Eu te amava, diria que ainda te amo.
Quando sua esposa ligou me dizendo que você havia partido, eu senti um vazio imenso. Fiquei triste por saber que já faziam anos. Cinco anos.
Sinto como se houvesse te perdido, até lembrar que já não era mais meu para perdê-lo.
Sinto sua falta. São oito da noite. Tenho que buscar Clara na casa de minha mãe.
Ela tem cabelo longo e escuro, igual ao seu. Olhos castanhos e pele branca. Ela tem sete anos.”

--
Criei toda uma história na cabeça e soltei no papel, ou melhor, no word: mulher que se viu divorciada, ainda amando o cara que pisou na bola, que casou com outra, não soube da filha, e por aí vai.
E aí, gostaram?

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Eu vejo o nascer do sol, vejo o tempo mudar a cada minuto, mas nada parece mudar. Vejo pessoas com olhos vazios, andando de um lado para o outro, como se estivessem perdidas; perdidas em seus pensamentos, em suas culpas e ressentimentos.
Vejo nuvens em formas de variados objetos, enquanto decidem se chove ou não.
Vejo pequenos animais, insetos insignificantes, que cabem na palma da mão.
Vejo muitas casas, de todas as cores, com vários cômodos, mas não vejo um lar.
Não vejo um lar.

Muito drama nesse texto.
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“No começo eu achava normal, achava.
Era um lápis que meu colega não iria dar falta. A pequena quantia em dinheiro do meu pai, figurinhas exclusivas do meu irmão. Coisas pequenas, coisas que ninguém iria se importar, coisas que poderiam faltar.
Talvez isso tenha começado com a morte da minha mãe porque depois daquela data eu adquiri dois vícios: fumar e beber.
O cigarro era algo passado de pai para filho. Milhares de substâncias tóxicas enroladas em um maldito papel que me trazia leveza quando o amargo tocava minha língua.
A bebida veio de velhos colegas, que não dispensavam uma festa com um bom whisky, mas isso eu não sei realmente de onde veio ou como chegou até mim.
Perigoso? Talvez. Saudável? Depende.
Eu achava normal quando me faltava cigarros e estava sem dinheiro para consegui-los comprando. As vezes o dinheiro estava no bolso mas a vontade de não pegar filas falava bem alto. Era fácil. Pega, não paga, e vai embora. Quem iria sentir falta de um maldito pacote com 20 cigarros? Ninguém. 
As vezes, para evitar esse tipo de coisa o jeito era pensar em fazer os meus. Mas eu não evitava, eu nunca evitava.
Não era o famoso "eu pago depois." Eu tinha o maldito dinheiro para pagar, só que as filas eram grandes... As filas ainda são grandes.
Prazeroso? Sem dúvida alguma. Medo? Eu o desconheço.
A possibilidade de acabar me ferrando fazendo isso passa poucas vezes em minha mente.
Nunca senti remorso, vergonha ou culpa depois.
Eu precisava dos cigarros, de álcool, alguns livros e isqueiros, ponto.
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"Ela sempre esteve ao meu lado quando precisei e sempre estará, eu sei.
Ela me lembra que me ama 24 horas por dia. 168 horas por semana. Em um ano são mais de 365 vezes.
Ela é uma heroína, melhor que mulher maravilha.
Ela chama a atenção sempre quando é preciso e me abraça incontáveis vezes.
Ela é amiga, confidente e amorosa.


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